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Em evento do Brics, Marina diz ser 'inadiável' discutir medidas globais para superar combustíveis fósseis

Ministra do Meio Ambiente participou de encontro do grupo em Brasília. Ainda no discurso, cobrou dos países do Brics que articulem atuação conjunta na COP30...

Em evento do Brics, Marina diz ser 'inadiável' discutir medidas globais para superar combustíveis fósseis
Em evento do Brics, Marina diz ser 'inadiável' discutir medidas globais para superar combustíveis fósseis (Foto: Reprodução)

Ministra do Meio Ambiente participou de encontro do grupo em Brasília. Ainda no discurso, cobrou dos países do Brics que articulem atuação conjunta na COP30. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (4) ser "inadiável" a discussão, em nível global, de medidas que possam acabar com a dependências dos países dos combustíveis fósseis. Marina Silva deu a declaração ao participar, no Ministério das Relações Exteriores, de um encontro com ministros do Meio Ambiente dos países que compõem o Brics, grupo presidido pelo Brasil durante o ano de 2025. No discurso, Marina mencionou o fato de que o Brasil também vai sediar neste ano a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), defendendo medidas para a chamada transição energética. "No caso dos combustíveis fósseis, fonte de cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa, é inadiável desenvolvermos um plano internacional que nos leve de maneira justa e ordenada para o fim da dependência que o mundo ainda tem dessa fonte de geração de energia. Um plano que considere as diferenças entre os países, suas necessidades e dificuldades e que seja justo para todos", afirmou a ministra no encontro. O mandato do Brasil à frente do Brics começou em janeiro deste ano e vai até dezembro. Entre as prioridades de discussão definidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está o "aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar mudanças climáticas". Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em imagem de arquivo João Risi/SEAUD/PR No ano passado, o Brasil presidiu o G20 - que reúne as principais economias do mundo - e também colocou entre os itens prioritários o desenvolvimento sustentável e a transição energética. Nesse cenário, entidades ambientais têm criticado o fato de o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras se manifestarem a favor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, num momento de transição energética. O tema divide setores do governo. Enquanto o Ministério de Minas e Energia argumenta que a produção de petróleo do pré-sal vai cair a partir de 2030; não faz sentido o Brasil virar importador de petróleo; e que os recursos podem financiar a transição energética sem aumentar a conta de luz. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), por outro lado, afirma que a região é sensível e precisa ser rigoroso na análise antes de permitir as pesquisas de exploração. Além disso, A COP 28, realizada nos Emirados Árabes, decidiu que países devem fazer a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia mais limpa até 2050. Apesar de ser sido considerado um avanço histórico, o texto aprovado por 195 países, não estabeleceu mecanismos de como estruturar a transição. Muitos países continuam a exploração, como por exemplo o Brasil que avalia expandir na Foz do Amazonas. 2024: Marina Silva fala dos desafios do Brasil para a COP30 Atuação do Brics na COP30 Ainda no discurso desta quinta-feira, Marina Silva pediu apoio do Brics para as negociações envolvendo a COP30, afirmando ser necessário garantir resultados "ambiciosos" na conferência - são esperados representantes de mais de 190 países. Segundo o negociador-chefe o Brasil no Brics, Maurício Lyrio, o país defende que os países do Brics levem uma posição conjunta para a COP30 sobre o financiamento de ações climáticas. "O Brics tem plenas condições de ajudar a realizar um grande mutirão para uma mobilização global rumo a resultados ambiciosos na COP30, que precisa ser a COP da implementação dos acordos que firmamos até aqui", afirmou Marina Silva nesta quinta-feira. A ministra do Meio Ambiente disse ainda que o avanço do "unilateralismo" e de "discussões extremistas" pode comprometer a estabilidade global e aprofundar injustiças, afetando as populações mais vulneráveis. "Essa instabilidade se agrava ainda mais no contexto de emergência climática em que estamos vivendo", disse. Na ocasião, o presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, defendeu que os países desenvolvidos não assumiram a liderança com relação a mudança do clima e acredita que países em desenvolvimento terão "voz mais forte na COP 30". "Acredito que as circunstâncias geopolíticas que estamos vivendo estão abrindo uma porta para estarmos muito mais presentes no cenário internacional. Então contamos com todos vocês nesta COP30 para fazer desta uma COP muito, muito especial." Bruno Carazza: Trump reforça plano de retomar o poder industrial americano via combustíveis fósseis